Albano Rücker — o moço que revelava o mundo
Havia, em Estrela, um homem que trazia o mundo para dentro de casa antes que ele chegasse pelos jornais. Albano Rücker nasceu em janeiro de 1920, o último de quinze irmãos, numa família onde a fotografia já corria no sangue como um ofício herdado do pai. Casou-se com Bárbara Herta em 1947, em Maratá, e logo se mudou para Videira, onde nasceram os dois primeiros filhos. Cinco anos depois, Estrela virou sua cidade definitiva — e foi lá que ele encontrou seu lugar no mundo, entre câmeras, revelações e uma curiosidade que nunca parava.
Ele parecia sempre um passo à frente. Em 1958, durante a Copa do Mundo da Suécia, apareceu em casa com um radinho a pilha escondido no bolso do paletó, sintonizado numa transmissão inédita em ondas curtas direto da Europa — os filhos correram atrás dele só para ouvir aquela novidade impossível. Em 1964, foi a vez da televisão: ganhou, num concorrido sorteio publicado no Diário de Notícias de Porto Alegre, um televisor Admiral Magnata de 59 centímetros — numa época em que ter uma TV em casa, no interior do Rio Grande do Sul, ainda era acontecimento de jornal. Anos depois, seria ele quem traria para Estrela a primeira máquina de fotocópia em um minuto. Três décadas, três novidades — e ele sempre na frente de todas.
Em 1969 estava na plateia da inauguração do Beira-Rio, ao lado do sobrinho Bruno — torcedor colorado até o fim. Fotografava a cidade inteira — casamentos, formaturas, notícias que mandava para o Correio do Povo e a Folha da Tarde — e por isso, hoje, uma rua leva o seu nome. Morreu em 1975, aos 55 anos, dias antes da primeira festa dos Rücker em Esperança, o encontro que depois viraria tradição de toda a família.
Esta crônica existe porque Carli, filho de Albano, guardou a memória do pai e a colocou no papel para o que seriam os cem anos dele. É exatamente esse tipo de gesto — uma história escrita, uma foto guardada, um nome lembrado — que está reconstruindo a família Rücker peça por peça, no rucker.life.
Quem tiver mais lembranças, fotos ou histórias de Albano, dos seus irmãos ou do tio Bertholdo, pode escrever para acervorucker@gmail.com. Cada relato é um pedaço da família que só quem viveu pode devolver.