Skt. Paulusblatt, novembro de 1976
Dois Rückers numa mesma edição: a autobiografia do professor Siegmund e o artigo de José Rücker
Um exemplar do Skt. Paulusblatt de novembro de 1976 — ano 59, número 11, editado em Porto Alegre pela Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul — guarda, no mesmo número, dois textos assinados por Rückers. Um deles é a autobiografia do avô, o professor e fotógrafo Siegmund Rücker, escrita por ele mesmo aos 58 anos. O outro é um artigo de José Rücker sobre a viuvez, publicado na abertura da edição.
O exemplar que serviu a esta transcrição é o do acervo, com o carimbo de Paulo Renato Rücker, de Estrela.
A autobiografia de Siegmund Rücker
A revista mantinha uma série chamada «Ehemalige Schüler des Lehrerseminars melden sich» — "ex-alunos do Seminário de Professores se apresentam" —, em que cada antigo aluno escrevia a própria história. O texto abaixo é a contribuição de Siegmund, nas páginas 442 a 445. Ele abre com uma ficha preenchida no modelo da série.
Ficha da série, preenchida pelo autor
- Meu nome
- Siegmund Rücker
- Nascido em
- 23 de maio de 1918
- Onde
- São Pedro do Maratá — município de Montenegro
- Meus pais
- August Ambros e Felipina Saft Rücker
- Minha esposa
- Cecy Dexheimer
- Os filhos
- Seis — 4 meninos e 2 meninas
- Os netos
- Cinco
- Aluno do Seminário
- 1937 e 1938
Até os meus 16 anos fiquei em casa, onde tinha de trabalhar e estudar junto com meus irmãos de idade quase igual à minha. Nunca frequentei uma escola primária. Em casa tínhamos de estudar, um aprendendo com o outro, sempre sob a orientação do pai, que tinha como auxiliar o Josef, o mais velho dos cinco filhos mais novos. Só no ensino de música o pai era o único professor. Ele fazia questão de ensinar harmônio a todos os seus quatorze filhos criados — portanto também às três meninas — e violino a todos os onze meninos. Quando chegava a idade, a gente era chamado, e isso já acontecia aos oito ou nove anos. Qualquer um pode imaginar o que era aquele exercitar e tocar o dia inteiro. À noite, todos os membros da família eram reunidos para assistir às aulas de língua alemã, dadas pelo próprio pai, grandes e pequenos. Só depois disso é que as irmãs mais velhas podiam receber seus pretendentes...
Além da atividade que descrevi até aqui, desde os doze anos eu era mais ou menos o chefe principal na cozinha, na casa e no pátio, porque a essa altura todas as irmãs já estavam casadas e nós, os meninos, tínhamos de assumir aquilo — mas sempre sob a vigilância da nossa querida e tão trabalhadeira mãe. Havia muito que fazer, com tanta gente faminta para alimentar e com a casa e o pátio grandes. Também nos estábulos, com galinhas, porcos, vacas e principalmente animais de sela, com os quais era preciso percorrer a cavalo todo o município de Montenegro e para além dele, no ofício de fotógrafo ou de regente de coro.
Havia muito que fazer. Era preciso alimentar os animais, mas com forragem produzida por nós mesmos, colhida num terreno que não chegava a dois hectares. Para conseguir isso, naturalmente era preciso adubar muito. Lá em casa só se perdiam os cacos de vidro e de porcelana, e esses eram muitos. Todo o resto ia para fossas, onde em menos de um ano se transformava no melhor adubo. Justamente por isso tínhamos sempre um treval exemplar, desses que raramente se encontram em outro lugar. Quando marcávamos nele as manchas amareladas mais fracas e as adubávamos com chorume logo depois do corte, os colonos vizinhos riam de nós. Assim, sob a orientação do pai, também ali era preciso trabalhar, e o pedacinho de terra se mostrava sempre agradecido, produzindo com vigor. Isso bastava ao pai, que com isso acertava duas moscas e ainda arrancava risada dos colonos...
Soa quase como se, fora as horas de sono, nós só tivéssemos estudado, tocado ou trabalhado. Não era assim. Também tínhamos tempo para brincar. Com um pequeno apito o pai nos dirigia também nisso, mesmo quando não estávamos perto dele. Quem viu o filme A Noviça Rebelde pode fazer mais ou menos uma ideia, descontado o luxo, de como era lá em casa. Seis, sete meninos bem alimentados andavam sempre juntos, e num raio de seis quilômetros conheciam cada pedra e cada pau, cada morro e cada buraco, cada árvore e cada cerca viva. A zona inteira vivia em sobressalto por causa das travessuras deles. Mesmo quando a travessura era de outros, a culpa sempre era atribuída a nós. Mas isso de certa forma se compensava, porque era também pela nossa família que a vida, a diversão, a música e o canto eram comandados na vila inteira.
Página 443 do originalQuando, em 1933, meu irmão Josef se diplomou no Seminário de Professores e foi como professor para a Feliz — como ele mesmo já descreveu no Paulusblatt de outubro de 1975 —, também o meu futuro ficou decidido. Eu também deveria ser professor. Em 1934 fui então designado para a Feliz, para ser auxiliar do meu irmão, cujo número de alunos crescia a passos largos. Ali entrei na atividade que de fato me preparou para a profissão de professor. Lá eu não tinha apenas de ajudar na escola, mas também de cantar nas santas missas com os alunos, tocar o harmônio, ajudar nos ensaios de canto, cantar réquiem e assim por diante.
Um coro masculino como o que existia ali naquele tempo não se encontrava em mais meia dúzia de paróquias, e um canto infantil como aquele não tinha igual no interior do estado. Todos os alunos se ajoelhavam embaixo, nos bancos, e cantavam, com acompanhamento de harmônio, canções a duas e a três vozes. Não era preciso anunciar os números das canções: por um pequeno prelúdio no harmônio os alunos já eram conduzidos à canção que seria cantada. Com grande saudade a gente se lembra daquelas primeiras comunhões tão solenes, tudo bem ensaiado, sem precisar de ninguém por perto empurrando as crianças... Um campo de trabalho farto, porque além disso eu era também o cozinheiro e o encarregado da casa do meu irmão — e também nisso a gente se lembra com gosto das iguarias que preparava para si mesmo.
Aí uma mulher entrou na nossa vida, exatamente como o bom Deus e sobretudo os padres jesuítas da Feliz desejavam: meu irmão Josef se casou em outubro de 1936. Julgou-se que eu já tinha adquirido "fundo de reserva" suficiente de conhecimentos para a profissão de professor, pelo menos para me inscrever agora no Seminário. Com muita coragem e autoconfiança cheguei lá em março de 1937, onde tive de me submeter a um exame que me habilitou de imediato ao curso médio. Ainda naquele mesmo ano cumpri meu serviço militar na Escola de Instrução Militar 90.
Página 444 do originalO querido padre Michel Meyer S.J. era o diretor, e a imagem dele eu até hoje, depois de quase quarenta anos, nunca perdi dos olhos, como uma figura viva. Evidentemente eu ainda tinha de estudar muito, e as quarenta e quatro horas-aula semanais precisavam ser preparadas nas suas tarefas. Eu tinha sempre um grande consolo, porque ao menos as aulas de música, tão difíceis para todos os colegas, eram fáceis para mim. Esse foi um motivo para eu poder me dedicar com mais empenho às outras matérias.
Veio então o curso superior, do qual me tiraram já no mês de agosto, para atender a um pedido do vigário Alfons Weiler, de São Gabriel da Estrela, hoje Cruzeiro do Sul. Ali o senhor professor Kappler havia deixado o cargo. Como os alunos não podiam perder o ano, era preciso dar um jeito. Fui encarregado de assumir aquela escola até o fim do ano. Mas no dia 1º de dezembro eu tinha de me apresentar no Seminário para o exame final. Em 15 de dezembro recebi meu diploma.
Como durante os três meses de magistério em Cruzeiro do Sul eu parecia ser um hóspede bem-visto, e como eu também tinha me afeiçoado à terra e à gente daquela bela paróquia, não me restou outra coisa senão voltar para o mesmo lugar. A partir de 1939 eu passei a dirigir a escola paroquial, com cem alunos pela manhã, e uma escola municipal da Picada São Gabriel, com sessenta alunos à tarde, a meia hora de distância a cavalo — cada uma delas, porém, com cinco classes ou anos. Além disso, eu tinha também de reger um bom coro da igreja e de cantar e rezar diariamente na santa missa com as crianças da escola. Meu canto infantil, assim como o do meu irmão naquele tempo na Feliz, fez época em Cruzeiro do Sul. O professor tinha de conduzir todos os enterros de criança e, junto com o padre, os de adulto, cantar réquiens e missas solenes, estar presente sobretudo nos casamentos e nos batizados, e assim por diante.
Página 445 do originalMinha querida mãe, longe de mim, fazia de tudo para me livrar de tamanha quantidade de trabalho, sempre receosa com o meu estado de saúde. Em 1946 cedi ao desejo da minha mãe, deixei a profissão de professor e entrei como inspetor na "Previdência do Sul". Em junho minha mãe morreu, e aquela que sempre temia por mim já não estava mais. Depois de um ano eu já voltava à profissão de professor, para então deixá-la definitivamente em 1949. Com a ajuda generosa dos meus irmãos Ewald e August, comprei em Estrela um ateliê fotográfico, que dirijo até hoje, depois de vinte e sete anos.
No canto eu fui e continuo sendo ininterruptamente atuante. Durante vinte anos reguei o Coro Cecília de Estrela, que ficou conhecido pela sua qualidade e pelas apresentações de canto transmitidas pelo rádio.
Não quero deixar de mencionar em especial o meu organista, padre Guido Both, um músico fino e grande, formado em Roma. Por meio dele ganhei força e ânimo para compor eu mesmo canções, que ele sempre considerou boas. A transferência dele para Gravataí foi lamentada por todos. Agora esse mesmo coro é regido por outro ex-aluno do Seminário de Professores, Pedro Eidt, que também há de se apresentar aqui com a sua biografia, e eu sou o organista dele. Que Deus nos dê força e saúde para podermos reger esse coro ainda por muito tempo, para a glória Dele.
Ler o original em alemão
Skt. Paulusblatt, ano 59, nº 11, novembro de 1976, p. 442–445. Grafia do original preservada, inclusive as substituições ae / oe / ue usadas pela tipografia da revista, que não dispunha de tremas.
Ehemalige Schueler des Lehrerseminars melden sich
Mein Name: Siegmund Rücker — Wann geboren: am 23. Mai 1918 — Wo: In S. Pedro do Maratá, Mun. Montenegro — Meine Eltern: August Ambros und Felipina Saft Rücker — Meine Frau: Cecy Dexheimer — Die Kinder: Sechs, 4 Buben und 2 Maedchen — Die Enkel: fuenf — Schueler des Lehrerseminars: 1937 und 1938.
Bis zu meinem 16. Lebensjahr blieb ich zu Hause, wo ich mit meinen Bruedern fast gleichen Alters arbeiten und lernen musste. Nie besuchte ich eine Primaerschule. Zu Hause mussten wir studieren, einer vom anderen lernen, immer unter der Orientierung des Vaters, der als Gehilfe den aeltesten von den 5 juengsten Soehnen Josef als Gehilfen hatte. Nur im Musikunterricht war der Vater der einzige Lehrer. Er liess es sich nicht nehmen, allen seinen 14 grossgewordenen Kindern das Harmoniumspiel beizubringen, also auch den 3 Maedchen und all den 11 Buben das Geigenspiel. Wenn das Alter kam wurde man herangerufen und das war es schon im 8. oder 9. Lebensjahr. Jeder kann sich vorstellen, was das ein Ueben und Musizieren den ganzen Tag war. An den Abenden wurden alle Glieder der Familie zusammengerufen um deutschen Sprachschulstunden, von Vater selbst gegeben, beizuwohnen, gross und klein. Erst hernach durften die aelteren Schwestern ihre Freier empfangen…
Ausser der bisher beschriebenen Taetigkeit war ich schon ab 12 Jahren so ungefaehr der Hauptchef in Kueche, Haus und Hof, da dann schon alle Schwestern verheiratet waren und wir Buben das uebernehmen mussten, aber immer unter der Aufsicht unserer lieben und so sehr arbeitsamen Mutter. Da gab es viel zu tun, wo immer so viele Hungrige gefuettert werden mussten und mit dem grossen Haus und Hof. Auch in den Stallungen mit Huehnern, Schweinen, Kuehen und besonders Reitvieh, womit das ganze Munizip Montenegro und darueber hinaus im Amte eines Photografen oder Chorleiters beritten werden musste.
Da gab es viel zu tun. Es musste gefuettert werden, aber mit selbstproduziertem Futter, das auf einem keine 2 ha grossen Gelaende gaernet wurde. Um das zu erreichen, musste natuerlich viel geduengt werden. Bei uns gingen nur die Glas- und Porzelanscherben, und deren waren es viele, verloren. Alles andere kam in Senkgruben, was sich dort innerhalb einem Jahre in besten Duenger verwandelte. Gerade deshalb hatten wir immer ein musterhaftes, anderswo selten anzutreffendes Kleefeld. Als wir darin die magereren gelblichen Flecken absteckten und dies dann sofort nach dem Schnitt mit Jauche duengten, darueber lachten uns unsere Nachbarsbauern aus. So musste unter der Orientierung des Vaters auch dort gearbeitet werden und das kleine Laendchen zeigte sich immer dankbar, indem es tuechtig produzierte. Das genuegte dem Vater, der somit zwei Fliegen traf, auch die Bauern noch zum Lachen reizte…
Es hoert sich ja fast so an, als ob wir ausser den Schlafstunden nur studiert, musiziert oder gearbeitet haetten. Dem war nicht so. Wir hatten auch Zeit zum Spielen. Mit einer kleinen Pfeife (apito) dirigierte uns auch darin der Vater, auch wenn wir nicht in seiner Nähe uns befanden. Wer den Film „Die Familie Trapp“ gesehen hat, kann sich ungefaehr ein Bild machen, den Luxus weggedacht, wie es bei uns zuging. Sechs, sieben ausgefuetterte Buben waren immer beisammen, die in einem Umkreis von 6 km jeden Stein und jeden Stock, jeden Huegel und jedes Loch, jeden Baum und jede Hecke kannten. Die ganze Zone war direkt in Unsicherheit geraten vor ihren Schabernacks. Wenn auch andere geschabernackt haben, immer wurde die Schuld uns zugeschrieben. Das wurde aber wieder in ungefaehr ausgeglichen, denn auch durch unsere Familie wurde Leben, Belustigungen, Musik und Gesang im ganzen Dorf kommandiert.
Als sich dann im Jahre 1933 mein Bruder Josef im Lehrerseminar diplomierte und als Lehrer nach der Feliz kam, wie er es selber schon im „Paulusblatt“ des Monats Oktober 1975 beschrieben hat, ward auch meine Zukunft bestimmt. Ich sollte auch Lehrer werden. Im Jahre 1934 beschied man mich dann auch nach der Feliz, um dort Gehilfe meines Bruders zu sein, dessen Schuelerzahl in Riesenschritten wuchs. Dort kam ich in die Taetigkeit, die mich so recht zum Lehrerberuf vorbereitete. Dort musste ich aber nicht nur in der Schule helfen, sondern auch in den hl. Messen mit den Schuelern singen, das Harmonium spielen, bei den Gesangsuebungen helfen, Requiem singen, usw.
Ein Maennerchor, wie er damals dort bestand, war nicht in noch einer halben Dutzend Pfarreien zu finden und ein Kindergesang hat im Innern des Staates ueberhaupt nicht seinesgleichen. Alle Schueler knieten unten in den Baenken und sangen mit Harmoniumbegleitung zwei- und dreistimmige Lieder. Es war nicht notwendig, die Liednummern anzuschlagen. Durch ein kleines Vorspiel auf dem Harmonium wurden die Schueler auf das zu singende Lied gelenkt. Mit grosser Sehnsucht denkt man an die so sehr feierlichen Kinderkommunionen, alles gut geuebt und niemand brauchte in der Naehe zu sein um an den Kindern zu schieben… Ein reichhaltiges Arbeitsfeld, denn ausserdem war ich auch der Koch und Haushalter meines Bruders und auch darin denkt man oft gerne an die Leckerbissen, die man sich selbst zubereitet hat.
Nun mischte sich eine Frau in unser Leben, genau so, wie es der liebe Gott und besonders die Jesuitenpatres von der Feliz wuenschten: Mein Bruder Josef verheiratete sich im Oktober 1936. Man glaubte, dass ich nun genuegend „Reservefond“ in Kenntnissen fuer den Lehrerberuf erworben hatte, wenigstens, um mich jetzt im Lehrerseminar anzumelden. Mit grossem Mut und Selbstvertrauen kam ich im Maerz 1937 dorthin, wo ich mich einem Examen unterwerfen musste, das mich sofort fuer den Mittelkurs befaehigte. Noch in demselben Jahr erledigte ich meinen Militaerdienst in der „Escola de Instrução Militar 90“.
Der liebe Pater Michel Meyer S.J. war der Direktor, dessen Bild ich heute noch, nach fast 40 Jahren, wie eine lebende Gestalt aus meinen Augen nie verlor. Selbstverstaendlich musste ich auch noch viel studieren und die 44 woechentlichen Lehrstunden mussten in seinen Aufgaben vorbereitet werden. Ich hatte immer einen grossen Trost, denn wenigstens die Musikstunden, fuer alle Kollegen so schwer, waren fuer mich erleichtert. Das war ein Grund, dass ich mich deshalb den anderen Faechern eifriger widmen konnte.
So kam der Oberkursus, aus dem man mich herauslockte und zwar schon im Monat August, um einer Bitte des Vigário Alfons Weiler von São Gabriel da Estrela, heute Cruzeiro do Sul, folgezuleisten. Dort hatte Herr Lehrer Kappler die Lehrerstelle niedergelegt. Weil die Schueler nicht das Jahr verlieren durften, musste Abhilfe geschaffen werden. Ich wurde beauftragt, die dortige Schule bis zum Ende des Jahres zu uebernehmen. Am 1. Dezember musste ich mich aber im Lehrerseminar zum Schlussexamen melden. Am 15. Dezember bekam ich mein Diplom.
Da ich waehrend meinem dreimonatigen Lehramt in Cruzeiro do Sul ein gerngesehener Gast zu sein schien und auch ich Land und Leute der schoenen Pfarrei liebgewonnen hatte, blieb mir nichts anderes uebrig, an dieselbe Stelle zurueckzukehren. Ab 1939 hatte ich dann die Pfarrschule mit 100 Schuelern am Morgen und eine Munizipalschule von Picada São Gabriel mit 60 Schuelern am Nachmittag, zu Pferd eine halbe Stunde entfernt, zu leiten, jede aber mit 5 Klassen oder Jahrgaenge. Ausserdem hatte auch ich einen guten Kirchenchor zu leiten und taeglich in der hl. Messe mit den Schulkindern zu singen und zu beten. Auch mein Kindergesang hat wie der meines Bruders damals in der Feliz in Cruzeiro do Sul Epoche gemacht. Der Lehrer musste alle Kinderbeerdigungen halten und mit dem Priester zusammen diese der Erwachsenen, Requiems und Hochaemter singen, besonders bei Hochzeiten, bei den Taufen dabei sein, usw.
Meine liebe Mutter, fern von mir, tat alles, um mich aus solcher Fuelle von Arbeit zu befreien, immer bangend um meinen Gesundheitszustand. Im Jahre 1946 gab ich dem Wunsche meiner Mutter nach, verliess den Lehrerberuf und trat als Inspektor in der „Previdência do Sul“ ein. Im Juni starb die Mutter und die, die immer um mich bangte, war nicht mehr. Nach einem Jahre schon kehrte ich in den Lehrerberuf zurueck um ihn aber dann definitiv im Jahre 1949 zu verlassen. Mit dankbarer Hilfe meiner Brueder Ewald und August kaufte ich mir in Estrela ein Photographisches Atelier, das ich heute, nach 27 Jahren, noch leite.
Gesanglich war und bin ich ununterbrochen taetig. Durch 20 Jahre leitete ich den Caecilienchor von Estrela, der sich durch seine Qualitaet und Gesangsvortraege mit Radiouebersendung beruehmt gemacht hat.
Ich moechte es nicht unterlassen, besonders meinem Organisten, Pater Guido Both, ein in Rom ausgebildeter feiner und grosser Musiker, zu erwaehnen. Durch ihn bekam ich Kraft und Mut, auch selbst Lieder zu komponieren, die er immer als gut befand. Seine Versetzung nach Gravataí wurde allgemein sehr bedauert. Jetzt wird derselbe Chor auch durch einen ehemaligen Schueler des Lehrerseminars, Pedro Eidt, der sich auch mit seiner Lebensbeschreibung hier melden wird, geleitet und ich bin sein Organist. Gebe uns Gott Kraft und Gesundheit, noch recht lange diesen Chor zu Seiner Ehre leiten zu koennen.
O artigo de José Rücker
A edição abre, na página 437, com um artigo assinado por José Rücker, escrito para o mês de finados. O texto continua nas páginas 438 e 439, que não estão no exemplar fotografado do acervo — o que temos é o começo, interrompido no meio de uma frase.
Mês de finados — Lembramos os mortos
Há pouco tempo visitei uma velha amiga, uma mulher viúva há muitos anos, que vive completamente retirada. Quando cheguei, ela estava sentada diante da escrivaninha do marido falecido — nada ali tinha sido mudado, papéis já amarelados continuavam no mesmo lugar — e olhava o retrato dele.
Certamente há muitas mulheres para quem a vida perdeu o seu sentido mais profundo com a morte do marido amado. Mas elas não podem se entregar apenas às lembranças, sem ter o que fazer, porque a realidade exige trabalho: a preocupação com o pão de cada dia se ergue enorme diante delas. Não são as mulheres mais dignas de pena aquelas que, postas diante do duro "é preciso", tratam de arrumar um trabalho o mais depressa possível depois do funeral. Muito pelo contrário: não ser inútil no mundo, estar ativa na sociedade, isso pode contribuir para lhes devolver o ânimo de viver e o equilíbrio interior.
"As crianças precisam de mim" — essa consciência faz de muitas viúvas verdadeiras heroínas na luta pela vida. A palavra tantas vezes ouvida, de que o trabalho é o melhor auxiliar na dor, não é frase vazia. Milhares e milhares experimentaram essa verdade em si mesmas. As mais felizes dentro da infelicidade são provavelmente aquelas mulheres capazes de dar continuidade ao trabalho do marido. Quando a placa de uma firma traz diante do nome o acréscimo de "viúva", quando vemos a senhora grisalha e imponente no caixa ou atrás do balcão, será que pensamos no destino que se esconde por trás do jeito amável e seguro dessa mulher? Quanta solidão! Quantas noites sem sono! Quantos dias cheios de preocupação isso custou, até que da jovem viúva...
O texto é interrompido aqui. A continuação está nas páginas 438 e 439, ausentes do exemplar fotografado.
Ler o original em alemão
Skt. Paulusblatt, ano 59, nº 11, novembro de 1976, p. 437.
Zum Allerseelenmonat — Wir gedenken der Toten. Von José Rücker.
Vor kurzer Zeit besuchte ich eine alte Freundin, eine seit vielen Jahren verwitwete Frau, die ganz zurueckgezogen lebt. Als ich kam, sass sie vor dem Schreibtisch ihres verstorbenen Mannes — nichts war daran geaendert worden, jetzt schon vergilbte Zettel lagen noch auf der gleichen Stelle — und betrachtete sein Bild.
Es gibt sicherlich viele Frauen, fuer die das Leben mit dem Tode des geliebten Mannes seinen tiefsten Sinn verloren hat. Aber sie koennen nicht ohne was zu tun sich nur den Erinnerungen hingeben, denn die Wirklichkeit fordert Arbeit: die Sorge um das taegliche Brot steht riesengross vor ihnen. Es sind nicht die bemitleidenswertesten Frauen, die, vor das harte „Muss“ gestellt, moeglichst schnell nach der Trauerfeier eine Arbeit ergreifen. Gerade das Gegenteil, nicht unnütz auf der Welt, in der Gesellschaft taetig sein, das kann dazu beitragen, ihnen wieder Lebensmut und seelisches Gleichgewicht zu geben.
„Die Kinder brauchen mich“, dieses Bewusstsein macht viele verwitwete Frauen zu wahren Heldinnen im Lebenskampf. Das oft gehoerte Wort, dass Arbeit der beste Helfer im Schmerz ist, ist keine leere Redensart. Tausende und wieder Tausende haben diese Wahrheit an sich selbst erfahren. Am gluecklichsten im Unglueck sind wohl jene Frauen, die faehig sind, die Arbeit ihres Mannes weiterzufuehren. Wenn ein Schild einer Firma vor dem Namen den Zusatz von „Witwe“ traegt, wenn wir die grauhaarige, stattliche Dame an der Kasse oder hinter der Tonbank sehen, denken wir dann daran, welches Schicksal hinter dem freundlichen, sicheren Wesen dieser Frau verborgen ist? Wieviel Einsamkeit! Wieviel schlaflose Naechte! Wieviel von Sorgen erfuellte Tage es gekostet hat, bis aus der fruehverwit…
O que esta edição diz ao acervo
A autobiografia fixa dados que até aqui circulavam só pela memória da família: a data e o lugar de nascimento de Siegmund, o nome dos pais, o número de irmãos — quatorze criados, onze meninos e três meninas —, e a sequência de lugares em que ele trabalhou. Confirma também que o irmão Josef se diplomou em 1933, foi professor em Feliz e publicou a própria história no Paulusblatt de outubro de 1975 — um número que vale procurar.
E fixa a origem do ateliê: comprado em Estrela em 1949, com a ajuda dos irmãos Ewald e August, depois de Siegmund ter deixado o magistério em definitivo. Em 1976, quando escreveu, estava com ele havia vinte e sete anos.
Um detalhe de leitura: ao comparar a vida em casa com um filme, Siegmund escreve «Die Familie Trapp», o título alemão do filme de 1956 que no Brasil ficou conhecido como A Noviça Rebelde.
Referência. Skt. Paulusblatt, ano 59, nº 11. Porto Alegre, novembro de 1976.
Diretor: Antônio Kaspary. Redator responsável: João Albino Both. Proprietária e editora: Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul.
"Ehemalige Schüler des Lehrerseminars melden sich", de Siegmund Rücker, p. 442–445.
"Zum Allerseelenmonat — Wir gedenken der Toten", de José Rücker, p. 437 (fragmento).
Exemplar do acervo da família, com carimbo de Paulo Renato Rücker, Estrela–RS.