Siegfried

Sigesfredo Engelbert Rücker, Feliz (RS) · 1936–2026

Em março de 1966, Sigesfredo Engelbert Rücker embarcou para a Alemanha. Funcionário da Prefeitura de Feliz, integrava um grupo de jovens gaúchos que obtivera, junto ao Consulado Alemão, uma viagem de trabalho à terra de onde a família tinha partido quase setenta anos antes. Ficou um mês em Berlim e três em Celle, levando consigo uma lista de telefones de parentes alemães, fornecida pelo tio José.

Foi em Celle que a viagem produziu sua imagem mais bonita: uma fotografia ao lado de Emil e Maria Wolf, diante de uma casa de enxaimel, vigas escuras cruzando a fachada clara. Sigesfredo, sem talvez se dar conta, repetia um gesto antigo: um bisneto voltando por alguns meses à terra de onde os bisavós tinham saído para nunca mais voltar.

Nascido em 1936, filho de Augusto Ewaldo e Elly Rücker, viveu a vida inteira em Feliz. Casou-se com Ione Maria Steinmetz, professora estadual. Tiveram dois filhos — Iajur, que seguiu carreira em Novo Hamburgo, e Raquel, que fez a vida em Porto Alegre — e dois netos, Luiza e Eric.

Quem escreveu sobre ele, ao saber da despedida, falou de um homem de "atuação fecunda", "amigo de todos", que deixou "sua marca indelével" na cidade e na família. São palavras de quem conviveu de perto com décadas de presença discreta e constante — o tipo de contribuição que uma comunidade só mede de verdade quando ela falta.

Sigesfredo — Siegfried para uns, Sijão para os mais próximos — morreu em Feliz em 17 de agosto de 2026, aos noventa anos, na mesma cidade onde nasceu, casou e criou os filhos.

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